Publicado em 02/10/2026
Conhecer profundamente o território foi o ponto de partida dos profissionais responsáveis por criar um espaço turístico, cultural e gastronômico integrado

Arquitetos, urbanistas, paisagistas e engenheiros levaram dois anos para realizar os estudos e elaborar o projeto do novo complexo turístico do Marco das Três Fronteiras, com a revitalização do Espaço das Américas, em Foz do Iguaçu (PR).
Os profissionais são de uma empresa de origem local e a escolha foi de propósito: a remodelação da área precisava considerar as particularidades geográficas e culturais do ponto em que Brasil, Paraguai e Argentina fazem fronteira.
A premissa do projeto levou em conta um espetáculo natural que se repete nas tardes ensolaradas: o pôr do sol no horizonte paraguaio, contemplado por quem está no Brasil e na Argentina.
“Qualquer intervenção que propuséssemos tinha que preservar a visão que as pessoas têm dessa paisagem deslumbrante. Isso trouxe definições específicas para este projeto”, comenta o arquiteto e urbanista responsável pelo planejamento da revitalização, Alexandre Balthazar.
Outro desafio foi vencer o relevo de 22 metros em uma extensão de apenas 100 metros, característico da margem onde os rios Paraná e Iguaçu se encontram. Para fazer a descida, o visitante poderá escolher uma escada ou uma rampa de inclinação suave que levará ao novo mirante de observação da foz do rio Iguaçu, ou seja, do ponto em que o rio Iguaçu (das Cataratas) deságua no rio Paraná (da Hidrelétrica de Itaipu).
O Mirante da Paz é uma das novidades do complexo e, por elevador, dará acesso à Praça da Integração, outro atrativo que ficará no caminho até o Espaço das Américas revitalizado.
Espaço Gastronômico das Américas
Uma das perguntas que o urbanista Alexandre Balthazar mais tem respondido é: “Vão preservar o Espaço das Américas?”. As indagações são fundamentadas na história desse monumento icônico, inaugurado em 1997, durante a gestão do ex-governador Jaime Lerner, na época dos Jogos Mundiais da Natureza.
A ideia original era que o local funcionasse como um fórum de debates, encontros e atividades relacionadas à integração latino-americana e ao Mercosul, além de receber eventos culturais.
E a resposta é sim: a identidade da edificação será preservada, mas ganhará nova configuração e novos usos. “O Espaço das Américas era, basicamente, um anfiteatro, tinha uso específico,” explica o arquiteto.
“A mudança estrutural que teremos,” complementa ele, “é para que a área se configure como uma grande praça, incluindo a representação de Brasil, Paraguai e Argentina que é o maior valor da nossa região”.
As toras de eucalipto, elementos característicos da construção, não resistiram ao tempo. Como estavam enterradas no concreto, tiveram a conservação comprometida. Agora, foram substituídas e estão sendo instaladas em pares, com uma nova solução construtiva para aumentar a durabilidade da estrutura.
A cada passo, os visitantes observarão manifestações e intervenções artísticas relacionadas à identidade da Tríplice Fronteira. No chão, uma representação do encontro dos rios irá compor um cenário com réplicas dos três obeliscos fronteiriços.
A experiência também passa pela gastronomia e por apresentações que remetem às tradições dos três países. “O visitante poderá conhecer um pouco mais da cultura da Tríplice Fronteira por meio dos sabores e das experiências que estarão no espaço, com opções como parrilla, bife de chorizo e sopa paraguaia, além de apresentações como a dança das garrafas”, afirma Jurema Fernandes, diretora de Operações do Grupo Cataratas.
Um detalhe pouco conhecido fica escondido debaixo da plataforma principal do Espaço das Américas: uma estrutura interna de três andares criada para dar sustentação, com capacidade para suportar a pressão das águas em caso de cheias.
Para os profissionais envolvidos no projeto de revitalização, um próximo passo poderá ser o aproveitamento dessa base estrutural com colunas expostas e aberturas singulares. “Quem sabe um Museu do Território?”, especula Alexandre.
Mais de 120 profissionais, atualmente, trabalham na obra de execução do projeto, que avança a cada dia. A previsão de entrega é para dezembro deste ano. Um espaço concebido para simbolizar a integração entre países ampliará a função de aproximação das pessoas — desta vez por meio do turismo, da cultura e da gastronomia.
Fonte: Assessoria.



