Evento reuniu durante final de semana mestres, praticantes e convidados na fronteira

Uma grande festa de compartilhamento de saberes. Assim foi marcada a terceira edição do Festival Vadiação Cataratas, realizado nos dias 27, 28 de fevereiro e 1 de março, em Foz do Iguaçu. 

No primeiro dia, mais de 25 mestres de capoeira de todo Brasil, realizaram uma roda de boas-vindas no Marco das Três Fronteiras. Os encontros também aconteceram na Confraria Esportiva e Cultural de Capoeira, no Mercado Público Barrageiro, e no Charrua.

As atividades de sábado incluíram participações artísticas com apresentação do Afoxé  Ogum Funmilayo, e o Coral Tapepyau da Aldeia Arapy, aulas e rodas de conversa e de capoeira, com troca de conhecimento e saberes.

Presenças 

Da Bahia, Manoel Joaquim Sena de Santana, o Grã Mestre Santana, um dos participantes mais antigos, trouxe experiências para compartilhar. Aos 80 anos, Santana celebra as lembranças do aprendizado de mais de 70 anos de capoeira. “Aprendi com minha avó, uma índia potiguara, a luta marana, e depois tive meu mestre Bernardino. Aprendi que capoeira é a liberdade em movimento”. Para ele, o evento em Foz celebra união. “Quem nos deu essa alegria, possibilitou esse encontro foi mestre Ary”.

Outra participação ilustre foi de Geraldo Costa Filho, Mestre Gegê, vindo do Rio de Janeiro. Aos 76 anos carrega parte da história da capoeira no país em sua história. “ A capoeira depois de considerada patrimônio imaterial, teve sua garantia de ser passada adiante, foi sendo respeitada fora do país e deixou um passado de discriminação para trás. Hoje o perfil de quem ensina capoeira é outro”., disse ao se referir a formação profissional de muitos mestres.

Para Nilson Clementino Hanszman, Mestre Cabeça, e José Paulo Pereira, Mestre Corvinho, o legado deixado pela capoeira deve continuar atraindo pessoas que encontram na prática, a celebração da ancestralidade, e da manifestação de liberdade. “A disciplina orienta a conduta, e isso não muda, não importa a geração”.

A tarde de sábado foi movimentada com a participação de alunos e alunas. Capoeiristas como Marcos Antônio Rodrigues de Souza, contra mestre Espoleta, de Engenheiro Beltrão, que aproveitou a vadiação para manter contato com mestres e trazer sua família para a prática. Acompanhado da esposa e da filha de 8 meses, a família acompanhou de perto as aulas e rodas. “Essa união faz com que a capoeira cresça ainda mais e incentive a participação de crianças”. Para ele, a capoeira é transformadora. “Me trouxe minha família, e libertação”.

Homenagem

No encerramento das atividades no Festival Vadiação Cataratas, Mestre Ary recebeu das mãos de 27 mestres presentes a corda branca, a graduação máxima da capoeira, simbolizando uma vida dedicada à capoeira. “É uma honra receber essa graduação. O caminho até aqui foi muito difícil, mas não paro de caminhar”, comentou emocionado.

O Festival Vadiação Cataratas terminou na manhã de domingo com uma visita às Cataratas.

O 3º Festival é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC), em parceria com a HOTMILK, Ecossistema de Inovação da PUCPR, e com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Em Foz conta com apoio da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, Mercado Público Barrageiro e Marco das Três Fronteiras.

Fonte: Assessoria

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