Vila A Mais

21/08/2023

Oficinas de desenho de espaços públicos em Barracão e Bernardo de Irigoyen foram realizadas em março. Na ocasião, crianças defenderam praças mais inclusivas segundo o que imaginam ser melhor para todas as pessoas. Crédito: Bia Paes/ONU-Habitat
Oficinas de desenho de espaços públicos em Barracão e Bernardo de Irigoyen foram realizadas em março. Na ocasião, crianças defenderam praças mais inclusivas segundo o que imaginam ser melhor para todas as pessoas. Crédito: Bia Paes/ONU-Habitat

Oficinas de desenho de espaços públicos em Barracão e Bernardo de Irigoyen foram realizadas em março. Na ocasião, crianças defenderam praças mais inclusivas segundo o que imaginam ser melhor para todas as pessoas. Crédito: Bia Paes/ONU-Habitat

Como seriam os espaços públicos de uma cidade se eles fossem desenhados por crianças? O novo relatório publicado pelo projeto Conexões Urbanas, do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), responde essa pergunta. Após realizar oficinas com 24 crianças de 9 a 14 anos em Barracão (Paraná, Brasil) e Bernardo de Irigoyen (Misiones, Argentina) – região de fronteira entre os dois países – as soluções apontadas para criar espaços públicos mais inclusivos estão disponíveis no Relatório de Desenhos de Espaços Públicos na Fronteira Brasil-Argentina (https://bit.ly/DesEspPublicos).

O relatório é parte do projeto Conexões Urbanas, que desde 2022 analisa a rede de espaços públicos abertos em duas regiões: na fronteira com a Argentina, já mencionada, que também abarca os municípios Bom Jesus do Sul (Paraná) e Dionísio Cerqueira (Santa Catarina); e na fronteira com o Paraguai, entre Foz do Iguaçu (Paraná) e Ciudad del Este (Paraguai). No último ano, o projeto mapeou e avaliou praças e parques e propôs a requalificação de espaços públicos através de metodologias participativas com crianças.  

Nesse contexto, o relatório apresenta os resultados das oficinas de Desenhos de Espaços Públicos aplicadas em maio na região, explicando desde como funciona a metodologia – levando os alunos a refletir sobre os desafios daquele espaço público e propor soluções inclusivas para todas as pessoas através de uma maquete – até o resultado final das intervenções, consolidadas em um projeto arquitetônico.

Em Barracão, crianças pensaram em soluções para o bairro Industrial, área afastada do centro, incluindo parquinhos infantis, quadra para esportes, e soluções para que as ruas sejam mais seguras para caminhar. Crédito: Tâmara Ribeiro/Clara Teodoro/ONU-Habitat.
Em Barracão, crianças pensaram em soluções para o bairro Industrial, área afastada do centro, incluindo parquinhos infantis, quadra para esportes, e soluções para que as ruas sejam mais seguras para caminhar. Crédito: Tâmara Ribeiro/Clara Teodoro/ONU-Habitat.

Através do compartilhamento desses resultados com as prefeituras locais, o projeto deseja promover espaços públicos que possam melhorar a qualidade de vida e promover a coesão social em áreas urbanas em contexto de fronteiras.

Para a coordenadora local do Conexões Urbanas, Camilla Almeida, o relatório é a concretização de um trabalho engajado com todas as pessoas envolvidas na iniciativa – alunos e funcionários das escolas, servidores das prefeituras e colaboradores das instituições parceiras. “Temos o privilégio de contar com parceiros locais engajados com nossos objetivos. Queremos que os municípios possam se tornar referência para que novas regiões também possam aplicar nossas metodologias em busca de um desenvolvimento urbano mais inclusivo e sustentável”, explica.

O relatório está disponível no site https://bit.ly/DesEspPublicos.

Relatório apresenta os resultados das oficinas de Desenhos de Espaços Públicos aplicadas na região, explicando desde como funciona a metodologia até o resultado final das intervenções. Crédito: ONU-Habitat Brasil
Relatório apresenta os resultados das oficinas de Desenhos de Espaços Públicos aplicadas na região, explicando desde como funciona a metodologia até o resultado final das intervenções. Crédito: ONU-Habitat Brasil

Parcerias para a expansão – O relatório é o primeiro produto do projeto após uma parceria firmada com o Governo do Paraná e a Província de Misiones (Argentina), assinadas no âmbito do projeto Conexões Urbanas, Com a iniciativa, os resultados do projeto devem ganhar ainda mais visibilidade e apoio na sua implementação.

No último ano, o projeto mapeou e avaliou praças e parques e propôs a requalificação de espaços públicos através de metodologias participativas com crianças moradoras da região.

Com as novas parcerias, a ideia é contribuir para o desenvolvimento sustentável da região, promovendo espaços públicos de qualidade, seguros e inclusivos, e estabelecendo os municípios como exemplos na aplicação de metodologias participativas e no acompanhamento de ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida urbana.

“A implementação do projeto Conexões Urbanas em municípios na fronteira reforça a importância da colaboração e do aprendizado entre cidades e instituições para enfrentar desafios comuns. O projeto é fortalecido através das novas parcerias, sendo o compartilhamento dos resultados essencial para disseminar novas visões de futuro”, afirma a oficial nacional do ONU-Habitat para o Brasil, Rayne Ferretti Moraes.

No Paraná, a parceria foi firmada com a Secretaria das Cidades e com a Superintendência-Geral de Desenvolvimento Econômico e Social (SGDES). De acordo com a superintendente da instituição, Keli Guimarães, a parceria entre Estado e municípios é importante para o cumprimento da Agenda 2030 da ONU, que estabelece metas de desenvolvimento sustentável para o planeta nos próximos anos.

“O Conexões Urbanas está alinhado à Agenda 2030 por dar voz, tanto a jovens e crianças, quanto a migrantes e refugiados, público que uma vez incluído na elaboração de políticas públicas locais, aumenta sobremaneira o valor e as possibilidades de acerto das mesmas”, ressalta a Superintendente Geral de Desenvolvimento Econômico e Social do Paraná, Keli Guimarães.

“A parceria reforça as ações de planejamento e de identificação de prioridades urbanas nos municípios, fundamentais para compreender como investimentos, sejam a fundo perdido ou financiados, podem ser apropriados e otimizados para atender as necessidades e o empoderamento dos atores locais envolvidos”, complementa o Secretário de Estados das Cidades do Paraná, Eduardo Pimentel.

Espaços públicos no Paraná foram avaliados pelo ONU-Habitat no contexto do projeto. Com parceria, atividades e resultados devem ganhar mais impacto. Crédito: Sabrina Albuquerque/ONU-Habitat
Espaços públicos no Paraná foram avaliados pelo ONU-Habitat no contexto do projeto. Com parceria, atividades e resultados devem ganhar mais impacto. Crédito: Sabrina Albuquerque/ONU-Habitat

Já na Província de Misiones, o projeto abriu diálogo com o Instituto Misionero de Biodiversidade (IMiBio). Para a presidente da instituição, Viviana Rovira, a parceria vai potencializar o desenvolvimento sustentável de Bernardo de Irigoyen, gerando boas práticas que podem inspirar novas ações na província. “Hoje, é essencial conciliar e harmonizar o habitat humano com o cuidado e a conservação da diversidade biológica. O cuidado com os seres vivos é uma tarefa importante à qual devemos dedicar cada vez mais atenção. Queremos transformar os municípios da nossa província em referências na aplicação de metodologias participativas e no monitoramento de ações relacionadas à melhoria da a qualidade de vida urbana e o cuidado com a biodiversidade”, afirma.

Conexões Urbanas – Lançado em 2022, o projeto tem como objetivo fortalecer os governos locais através do planejamento e desenho urbano participativo de espaços públicos através de recomendações de políticas públicas, desenvolvimento de capacidades do corpo técnico, compartilhamento de conhecimento e apoio à regeneração de espaços públicos. Além dos países latino-americanos, o projeto também abarca duas cidades no Líbano.

Financiado pela Conta de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDA), o projeto já promoveu escutas da população e atores locais, realizou oficinas com autoridades e lideranças dos territórios, e elaborou um diagnóstico dos espaços públicos a partir de metodologias participativas, disponível neste link (https://bit.ly/AvEspaçosPúblicos).

Assessoria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *