Sistema do Ministério do Turismo substitui a tradicional ficha em papel, permite pré-check-in digital e deve melhorar a coleta de dados sobre o fluxo turístico no país.

A antiga ficha de papel preenchida na recepção de hotéis, pousadas e demais meios de hospedagem está ficando para trás. A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes, conhecida como FNRH, passou por um processo de digitalização conduzido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro, com o objetivo de modernizar o registro de hóspedes no Brasil.
A nova FNRH Digital permite que o hóspede realize o pré-check-in antes mesmo de chegar ao estabelecimento, por meio de link ou QR Code enviado pelo hotel, pousada ou outro meio de hospedagem. Na prática, aquele processo antigo de preencher formulário no balcão tende a ser substituído por um fluxo mais rápido, integrado e com menos papel. A burocracia, enfim, levou um check-out.
Segundo o Ministério do Turismo, a ferramenta oferece funcionalidades de pré-check-in, check-in e check-out, tornando o processo mais eficiente tanto para os estabelecimentos quanto para os viajantes. O sistema também facilita o envio eletrônico das informações exigidas pela Lei nº 11.771/2008 e pelo Decreto nº 7.381/2010.
Para cidades turísticas, como Foz do Iguaçu e região, a mudança tem impacto direto no setor hoteleiro. Com os dados enviados de forma digital, o governo federal poderá acompanhar com mais agilidade informações como perfil dos visitantes, origem dos turistas e taxas de ocupação hoteleira. Esses dados são importantes para orientar políticas públicas, investimentos e estratégias de desenvolvimento turístico.
No módulo voltado aos meios de hospedagem, a FNRH Digital integra o fluxo desde a criação da reserva até o check-out. Com isso, hotéis e pousadas deixam de depender da coleta em papel, digitação manual, transmissão posterior das informações e armazenamento físico das fichas. Para aderir ao sistema, o primeiro passo é o estabelecimento estar regular no Cadastur, o cadastro oficial dos prestadores de serviços turísticos.
O sistema também prevê diferentes formas de uso. Estabelecimentos que já contam com sistemas de gestão hoteleira, conhecidos como PMS, podem realizar integração por API. Já os meios de hospedagem que não utilizam esse tipo de sistema contam com alternativas próprias de acesso e operação na plataforma.
Para o hóspede, o processo é simples. O estabelecimento pode enviar um link ou disponibilizar um QR Code para preenchimento antecipado das informações. Brasileiros podem acessar com conta gov.br ou informar o CPF; estrangeiros utilizam o número do passaporte. O Ministério do Turismo recomenda o uso do gov.br por facilitar o preenchimento e permitir o reaproveitamento de dados em viagens futuras.
Cada hóspede maior de 18 anos deve preencher sua própria ficha. Menores de idade devem ser cadastrados como dependentes do responsável. Após concluir o pré-check-in, o viajante se apresenta no balcão apenas para validações finais e entrada no estabelecimento.
De acordo com o FAQ oficial do Ministério do Turismo, o prazo final estabelecido para adesão era 20 de abril de 2026, com a regularidade da FNRH Digital vinculada à situação do meio de hospedagem no Cadastur. A orientação oficial também aponta que estabelecimentos não regularizados podem ficar sujeitos a notificações, sanções administrativas e irregularidade perante órgãos de fiscalização.
Além da adequação legal, a FNRH Digital representa uma mudança de cultura no atendimento turístico. O balcão continua existindo, mas deixa de ser o gargalo principal. Para o empresário, a promessa é menos retrabalho e mais organização. Para o hóspede, menos tempo preenchendo dados repetidos. Para o poder público, estatísticas mais confiáveis para planejar o turismo com base em informação real, não em palpite.
O que muda na prática
A principal mudança é a substituição da ficha física por um processo digital. O hóspede pode preencher os dados antes da chegada, o estabelecimento reduz etapas manuais e o Ministério do Turismo passa a receber informações de forma eletrônica e padronizada.
Quem deve se adequar
A medida envolve meios de hospedagem registrados no país, como hotéis, pousadas, resorts, hostels e demais estabelecimentos do setor. Para utilizar corretamente a FNRH Digital, o empreendimento precisa manter sua situação regular no Cadastur.
Fonte: Ministério do Turismo



