Educação financeira começa muito antes da primeira mesada e pode ser um dos maiores legados que um pai deixa para os filhos.

Nesse mês dos pais e no restante do ano, vale uma reflexão: quando pensamos em legado, logo imaginamos bens, imóveis ou uma herança. Mas existe um patrimônio muito mais silencioso e, muitas vezes, mais valioso. É a forma como um pai ajuda seus filhos a construir uma relação saudável com o dinheiro, fazer escolhas e planejar o futuro. Talvez a pergunta mais importante neste Dia dos Pais não seja “o que vou deixar para os meus filhos?”, mas “o que eles estão aprendendo comigo todos os dias?”.

Essa influência da família aparece também em pesquisas internacionais. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) 2022, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que 76% dos estudantes brasileiros de 15 anos conversam com os pais, pelo menos uma vez por mês, sobre decisões de consumo e gastos pessoais. No mesmo ano, 89% dos estudantes brasileiros afirmaram ter economizado dinheiro pelo menos uma vez. Além disso, os alunos que mantêm esse diálogo apresentam desempenho superior em educação financeira em comparação àqueles que nunca conversam sobre o tema.

A educação financeira costuma ser associada a planilhas, cálculos e investimentos. No entanto, especialistas apontam que ela começa muito antes disso. Ela nasce dentro de casa, nas pequenas decisões do dia a dia e, principalmente, no exemplo dado pelos pais. Estudos sobre educação financeira mostram que a família é um dos principais ambientes onde crianças e adolescentes constroem seus hábitos e crenças em relação ao dinheiro.

Isso significa que os filhos aprendem muito antes de receber a primeira mesada ou de entrarem para o mercado de trabalho e receberem seu primeiro salário. Eles observam. Observam quando os pais conversam sobre o orçamento da casa. Quando pesquisam preços antes de comprar. Quando adiam um consumo para realizar um objetivo maior. Quando enfrentam dificuldades financeiras com diálogo, responsabilidade e planejamento.

Essas experiências ajudam a construir uma relação saudável com o dinheiro, baseada em escolhas conscientes e não apenas no consumo imediato.

Apesar dessa influência da família, o desafio ainda é grande. No Brasil, 45% dos estudantes de 15 anos não atingem o nível básico de proficiência em educação financeira, segundo a OCDE. Isso significa que muitos jovens ainda têm dificuldade para distinguir necessidades de desejos e tomar decisões financeiras simples do cotidiano.

Para o gerente de Relacionamento com Participantes da FIBRA, Thiago Luis Moreira, a educação financeira começa muito antes da vida adulta.

“A educação financeira não começa quando a pessoa abre uma conta bancária ou faz o primeiro investimento. Ela começa muito antes, quando a criança observa como a família toma decisões, conversa sobre dinheiro e lida com os desafios financeiros do dia a dia.”

Muito além do papel de provedor

Durante muito tempo, a figura paterna esteve associada quase exclusivamente ao sustento financeiro da família. Um estudo publicado pela Revista de Saúde Pública mostra que esse entendimento ainda existe, mas vem passando por uma transformação importante. Cada vez mais, a paternidade também é compreendida como presença, cuidado, diálogo e participação ativa na formação dos filhos.

Essa mudança amplia o significado de cuidar.

Garantir o sustento continua sendo importante. Mas ajudar um filho a desenvolver autonomia, responsabilidade e capacidade de planejar também é uma forma de proteção.

No futuro, talvez ele não se lembre do valor de uma compra específica.

Mas dificilmente esquecerá a maneira como aprendeu a lidar com o dinheiro.

Planejar também é uma forma de cuidar

Para a diretora-superintendente da FIBRA, Andréa Silva Medeiros, o cuidado também passa por ajudar as pessoas a desenvolverem autonomia financeira ao longo da vida.

“Quando falamos em previdência, muitas pessoas pensam apenas na aposentadoria. Mas, na essência, estamos falando de cuidado. Planejar o futuro é uma forma de proteger quem amamos e oferecer mais tranquilidade para toda a família.”

Falar sobre dinheiro em família não significa expor preocupações ou transferir responsabilidades para as crianças. Significa aproveitar situações do cotidiano para mostrar que toda escolha tem consequências e que alguns sonhos exigem tempo, disciplina e organização.

Quando uma família conversa sobre prioridades, estabelece objetivos e aprende a esperar o momento certo para realizar um desejo, está ensinando muito mais do que educação financeira.

Está ensinando planejamento.

E planejamento é uma habilidade que acompanha as pessoas por toda a vida. Para o diretor financeiro da FIBRA, Flúvio Ricardo Nascimento, decisões consistentes tomadas hoje fazem diferença no futuro.

“Quando falamos em planejamento financeiro, falamos de decisões que, isoladamente, podem parecer pequenas, mas que, ao longo dos anos, produzem resultados significativos. A lógica da previdência complementar é exatamente essa: transformar constância em segurança para o futuro.”

A construção desse olhar de longo prazo ainda é um desafio. A mesma pesquisa da OCDE mostra que apenas 2% dos estudantes brasileiros alcançam os níveis mais elevados de proficiência em educação financeira, demonstrando capacidade para compreender decisões financeiras mais complexas e avaliar riscos de longo prazo.

O longo prazo se aprende

Esperar para realizar um objetivo, guardar parte da renda para um sonho futuro ou abrir mão de uma satisfação imediata em troca de uma conquista maior são comportamentos que vão além da organização financeira. Eles desenvolvem uma habilidade cada vez mais valiosa: pensar no longo prazo.

Essa capacidade influencia decisões ao longo de toda a vida, desde a compra de um imóvel até a preparação para a aposentadoria. Por isso, educação financeira e educação previdenciária caminham lado a lado: ambas estimulam planejamento, disciplina e visão de futuro.

É justamente desse princípio que nasce a previdência complementar. Ela permite construir, ao longo da vida, um patrimônio financeiro destinado a complementar a renda da aposentadoria e proporcionar mais segurança no futuro. Por meio de contribuições periódicas e do tempo, esse patrimônio cresce gradualmente, acompanhando diferentes fases da vida.

Como costuma reforçar a FIBRA em suas ações de educação financeira e previdenciária, construir um futuro mais seguro não depende apenas de grandes investimentos. Depende, sobretudo, da criação de hábitos consistentes ao longo do tempo.

Mais do que um instrumento de planejamento financeiro, a previdência complementar representa uma escolha de longo prazo baseada na constância e no planejamento. Para o diretor de Seguridade da FIBRA, Rogério Machado da Costa Barros, pensar no futuro também é uma forma de cuidar das próximas gerações.

“Todo pai deseja oferecer segurança para os filhos, não apenas no presente, mas também para o futuro. A educação financeira e o planejamento previdenciário fazem parte desse cuidado, porque ajudam as famílias a atravessar as diferentes fases da vida com mais tranquilidade.”

Um legado que atravessa gerações

No fim das contas, patrimônio não é apenas aquilo que se deixa. É também aquilo que se ensina. E talvez o maior presente que um pai possa oferecer aos filhos seja mostrar que cuidar do futuro começa nas escolhas feitas todos os dias.

Porque construir um futuro mais seguro não começa quando chega a primeira herança. Começa muito antes, dentro de casa, pelo exemplo.

Neste Dia dos Pais, talvez o maior presente não seja aquilo que cabe em uma caixa ou aparece no extrato bancário. Talvez seja o exemplo deixado todos os dias, nas escolhas, nas conversas e no planejamento. Porque os melhores legados não são apenas recebidos. São aprendidos.

Construir um futuro mais seguro começa pelas escolhas de hoje.
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Você sabia?

76% dos adolescentes brasileiros conversam sobre dinheiro com os pais pelo menos uma vez por mês. Quem mantém esse diálogo tende a apresentar melhor desempenho em educação financeira.

Previdência para crianças.

Educação previdenciária também começa cedo

Assim como a educação financeira pode ser trabalhada desde a infância, a educação previdenciária também começa antes da vida adulta. Não significa falar de aposentadoria para uma criança, mas ajudá-la a compreender que algumas conquistas exigem tempo, planejamento e constância. Esses aprendizados tornam mais natural, no futuro, a construção de uma cultura de poupança e preparação para diferentes fases da vida.

A educação financeira ajuda a tomar boas decisões no presente. A educação previdenciária amplia esse olhar, mostrando que algumas escolhas feitas hoje têm impacto não apenas nos próximos meses, mas nas próximas décadas.

Construa esse legado também para o seu futuro.
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5 frases que ensinam educação financeira sem falar de dinheiro

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